www.mutual-mente.com janeiro de 2009
Aspectos espirituais do transplante de órgãos
Transferência
de atitudes e conhecimentos
do doador ao receptor de órgãos
Artigo de Joachim Felix Hornung
Epígrafe: Leia-o, mas leia-o interessadamente!
Gostaria de
expressar os meus agradecimentos a Graciela Elguy
e Kai Kreutzfeldt pela tradução do texto em português.
Conteúdo
Sumário e palavras chaves,
Alguns exemplos de transferências,
Quantas vezes acontece?
Citações do livro de Claire Sylvia,
Possessões espirituais,
Um doador de órgãos como possessor,
Caso 1 de Pearsall-Schwartz-Russek,
Caso 2 de Pearsall-Schwartz-Russek,
Um pouco de filosofia,
Outros aspectos espirituais do transplante de órgãos,
Pedido de apoio,
Bibliografia.
Sumário. Normalmente se explica a transferência de atitudes e de conhecimentos do doador ao receptor de órgãos com as expressões “a memória de órgãos” ou “a memória celular”. Este artigo apresenta uma visão deste fenômeno como possessão espiritual. Esta compreensão surge do testemunho das pessoas afetadas. Esta análise não só possui um valor teórico, mas também leva consigo conseqüências práticas notáveis no campo terapêutico.
Palavras chaves. Doarah, Claire Sylvia, transplante de órgãos, memória de órgãos, memória celular, percepção, percepções, possessões espirituais, referências da memória, Kardec, Allan Kardec, Kardecistas, Kardecismo, William Baldwin, Edith Fiore, Carl Wickland, Paul Pearsall, Gary Schwartz, Linda Russek.
Exemplos de transferências.
Em alguns casos de transplante de órgãos, principalmente em relação com o transplante do coração, se vem observando que algumas preferências, aversões, atitudes e inclusive conhecimentos concretos se haviam transferido do doador ao receptor, veja-se Pearsall (1998) e Pearsall, Schwartz & Russek (2002). Na continuação mostraremos alguns exemplos.
(“antes” ou “anteriormente”
significa “antes da recepção do novo órgão”,)
(“depois” ou “agora” significa “depois da recepção do novo órgão”.)
Debbie Vega. Antes era contra o álcool e agora lhe apetece cerveja, frango e música rap.
Ben (pseudônimo) de 56 anos. Depois do transplante, tem terríveis sonhos nos quais ele vê um forte relâmpago ante os seus olhos e como a seu rosto vai aquecendo até se queimar. O doador era policial e morreu com um tiro no rosto.
Homem, 47 anos. Obteve o coração de uma menina de 14 anos com anorexia. Agora se sente muito jovem, tem ataques de bulimia, perde peso, ri timidamente, é agitado como uma adolescente.
Homem jovem, branco. Agora sempre vai ao Harlem para encontrar-se com os afro-americanos, mas não sabe por quê.
Susie, 29 anos. Foi a melhor vendedora do McDonalds e uma lesbiana militante. Ela desfez-se de todos seus livros sobre lesbianismo; já não suporta carne, tornou-se vegetariana e se casou com um homem. O coração que recebera era de uma vegetariana que amava muito os homens.
William Sheridan, 63 anos. Antes pintava de maneira infantil. Depois do transplante do coração pinta quadros maravilhosos, com animais selvagens e belas paisagens. O doador, Keith Neville, de 24 anos, foi um pintor de grande talento.
Homem, branco, 47 anos. Antes detestava música clássica. Agora adora e conhece cantos clássicos que antes nunca havia escutado.
Daryl, 5 anos. Conhece o nome, a idade aproximada e a causa da morte do seu doador Timmy. Agora não brinca mais com o seu power ranger (brinquedo): Timmy havia caído pela janela quando queria recolher o seu power ranger.
Doarah (pseudônimo), oito anos. Em seus pesadelos vê a um homem acercando-se dela, empunhando uma faca e que está a ponto de matá-la. O assassino da doadora do coração (de 10 anos) foi capturado em base a uma descrição dada por Doarah. (Pearsall 1999, página 7).
Claire Sylvia, bailarina americana. Receptora não só de um coração, também de pulmões. Percebe em si a aparição de novas características em suas apetências, como ter vontade de pimentões verdes, cerveja e frango. Agora manifesta um modo de andar masculino e tem sentimentos para com homens e mulheres como se fosse um homem. Ela está certa de que estes atributos pertencem ao doador.
Alguns dos extratos literais do livro de Claire Sylvia se encontram citados abaixo deste texto.
Jimmy, nove anos. Anteriormente gostava muito de banhar-se e brincar na água, agora tem pânico. A doadora morreu afogada. Jimmy não sabe quem foi a doadora, mas, disse:
“Às vezes falo com ela. Posso senti-la dentro de mim. Ela parece muito triste. Tento consolá-la, mas tem muito medo. Ela me disse que deseja que
»Os pais não abandonassem aos seus filhos.«
Não tenho idéia de por quê
ela diz isso.”
(Pearsall, Schwartz & Russek, 2002, caso
8).
Os casos de Doarah e de Claire Sylvia sobressaem pelo grande número de exemplos na forma em que aqui estão transferidas as informações como fatos e dados precisos. Habitualmente são “somente” novas preferências, aversões ou atitudes que emergem como do nada nos receptores.
Quantas vezes acontece?
A maioria dos exemplos de transferências encontramos nos autores citados. Estes estão descritos com tantos detalhes e tão bem documentados, que não cabe a menor dúvida da autenticidade do fenômeno. E pode-se partir do suposto de que o número real das transferências é muito maior pelas seguintes razões:
1. Presumivelmente poucos receptores afetados falam francamente sobre suas vivências e problemas, por que em seguida se dão conta de que não vão ser compreendidos e sim rejeitados pelos médicos, parentes e amigos. Então optam pelo silêncio.
2. Os cirurgiões normalmente só estão interessados no êxito médico e físico do transplante e do paciente, mas não nas conseqüências psíquicas no mesmo. Além disso, estes temas não interessam, devido a visão materialista da vida que manifestam muitos dos médicos na atualidade.
3. Para o ponto de vista científico das transferências só são fidedignos os exemplos nos quais o receptor a princípio não conheça a identidade do doador nem da sua família. Mesmo, que posteriormente chegue a conhecê-los, de maneira que suas novas atitudes possam ser comparadas com as do doador. Devemos lembrar que na Europa de acordo com a lei, os receptores de órgãos não devem conhecer a identidade do seu doador, e ao inverso a família do doador não deve conhecer o receptor. Não obstante nos EUA este assunto é tratado de diferente maneira; os exemplos antecedentes e os seguintes provêm de lá. Claire Sylvia descobriu a família do seu doador de uma maneira quase mágica.
Citações do livro de Claire Sylvia
Como se explicam as transferências?
Para encontrar uma resposta, vamos citar literalmente algumas frases do livro autobiográfico de Claire Sylvia.
(Com a aprovação da editora Hoffmann und Campe, Hamburgo)
Cinco meses depois do transplante de coração e pulmão, Claire Sylvia sonhou com seu doador e neste sonho descobriu seu nome “Tim” e a primeira letra de seu sobrenome “L”, mesmo não sabendo quem era e tampouco conhecendo sua família. A segunda parte do seu sonho nos descreve assim:
“Volto para despedir-me dele. Tim está olhando-me enquanto dirijo-me a ele; parece que está alegre porque regresso. Nos beijamos, e enquanto o fazíamos, aspirei-o profundamente. Me sinto como se tivesse aspirado de forma tão profunda como jamais tenha experimentado antes. E sei neste momento que nós dois, Tim e eu, estaremos unidos para sempre. Quando despertei deste sonho me senti maravilhosamente animada, viva e renovada. Além disso senti que meu coração e meu pulmão agora realmente faziam parte de mim .”
Em outras partes do livro encontramos as seguintes afirmações da autora:
“Durante os meses seguintes, foi aumentando a sensação de que o espírito ou a personalidade do meu doador continuou parcialmente vivendo dentro de mim.”
“Às vezes tinha a sensação como se outra pessoa estivesse ao meu lado ou dentro de mim, e de uma maneira indefinível o sentimento de ‘Eu mesma’ se transformou em um sentimento de ‘Nós’. Às vezes me senti como se compartilhasse o meu corpo com uma segunda alma.”
“Estava convencida de que uma parte dele estava vivendo em mim e de alguma maneira me guiava ao encontro da sua família.”
“Tenho a sensação de que outra pessoa está dentro de mim e quero saber quem é. Além disso quero chegar a conhecer a família do Tim.”
“Para muita gente a idéia de um segundo ser estar alojado dentro de si seria tão ameaçadora e grotesca, que a expulsão ou denegação certamente seria uma reação habitual.”
No final de seu livro, Claire Sylvia tem um sonho no qual aparecem 22 motocicletas. Alguns dias depois, à tarde, um conhecido dá carona para ela em sua moto (na vida real!) e a conduz com grande velocidade. Então seu coração começa a bater com maior freqüência. (Tim morreu num acidente de moto.) Claire Sylvia segue escrevendo:
“Hoje acredito que a ritualização do sonho da moto me permitiu deixar a alma de Tim ir suavemente. Por fim havia encontrado minha nova identidade, uma espécie de uma terceira pessoa, que não era a velha Claire nem o novo Tim, mas sim uma combinação de ambos. Creio que não tenha sido uma coincidência que depois desta tarde, consegui estabelecer uma relação duradoura com outro homem. Era como se Tim tivesse se retirado, de modo que em meu coração ficou um espaço para outro.”
É possível deduzir pelas palavras de Claire Sylvia quando começou e quando terminou a obsessão: Obviamente, vai desde seu primeiro sonho, no qual aspirou Tim, até a viagem de moto em alta velocidade, que ela mesma chama de ritual. Claire Sylvia pode até denominar os motivos que Tim tinha para estar presente ao lado ou dentro dela:
“Mesmo a vida do Tim tendo um fim brusco, obviamente, junto com os seus órgãos, seu espírito estava destinado a continuar vivo. Acredito firmemente – assim como sua mãe – que ele me guiou para encontrar sua família, e assim voltar a ter contato com ela e, quem sabe, também resolver e completar o que não tinha sido resolvido em sua vida. Eu sinto isso fortemente em meu coração.”
(Fim das citações do livro de Claire Sylvia)
Obsessões espirituais.
Mesmo que Claire Sylvia descreva detalhadamente suas experiências, no capítulo final do livro, não chega à conclusão crucial. No final ela se pergunta como se explicam as transferências que havia experimentado, discutindo as mais diversas teorias sobre este tema. Mas, não chega ao resultado de que ela provavelmente tenha sido obsediada pela alma do falecido Tim, mesmo que isto se possa deduzir com muita clareza em suas próprias palavras.
No presente texto, entendemos por “obsessão espiritual” a obsessão de uma pessoa viva pela alma de uma pessoa falecida. No sentido dos autores mencionados posteriormente, partimos do suposto de que o obsessor possa influenciar os pensamentos, emoções e atitudes da pessoa.
Por “alma” compreendemos a parte do ser humano que sobrevive a morte física.
(Queremos deixar bem claro que não estamos falando sobre os conceitos mais antigos da possessão demoníaca nem do exorcismo da Igreja Católica.)
Os autores em seguida, desenvolveram métodos terapêuticos para liberar uma pessoa obsediada, assim como seu obsessor, desta situação precária. Este método se denomina na citada literatura americana como “spirit releasement therapy”.
Quase não se encontra na literatura
européia uma referência sobre esta terapia.
Mais informações encontra-se no site
www.mutual-mente.com
no capítulo A3: „Spirituelle Besetzungen“ (Obsessões Espirituais) e também no
capítulo „Reinkarnationsforschung“ (Pesquisa sobre Reencarnação).
Uma boa fonte do nosso conhecimento sobre esse tema é a seguinte literatura americana:
Carl Wickland (1924!) já cedo escreveu seu famoso livro „Thirty Years among the Dead” (“Trinta anos entre os mortos”). Ele descobriu que sua esposa era médium e que, através dela, ele poderia falar com a alma de uma pessoa falecida, que estava obsediando um paciente. Ou seja: sua mulher deixava entrar em si mesma, o espírito obsessor e permitia que se comunicasse por seu intermédio. Muitas vezes, Dr. Wickland conseguiu convencer o obsessor de que ele estava morto, e que já não fazia nenhum sentido continuar obsediando o paciente. E que seria muito melhor deixar-se guiar por seus amigos e parentes (falecidos) para o além. Assim, Dr. Wickland não somente ajudou os pacientes que haviam lhe consultado devido às numerosas moléstias, mas também liberou as almas obsessoras, que até então não conseguiam deixar a esfera da Terra, assim como o convívio com outras pessoas.
Annabel Chaplin (1977) descobriu a presença de obsessões em seus pacientes como nova causa de muitos de seus problemas e irritações. Trabalhou com eles por meio de orações, meditações e visualizações para liberá-los de seus obsessores.
Edith Fiore (1995) como terapeuta reencarnacionista percebeu, que seus pacientes muitas vezes não sofriam experiências traumáticas causadas por suas vidas passadas, senão que estavam obsediados por espíritos. Trabalhou por meio do transe leve com seus pacientes, da mesma forma que hoje em dia estão fazendo a maioria dos terapeutas de regressão.
William Baldwin (2003) experimentou o mesmo que Chaplin e Fiore. Também percebeu obsessões trabalhando com seus pacientes. Só mais tarde descobriu os livros dos autores citados anteriormente. Baldwin, igual a Fiore, acostuma trabalhar sem médium, provocando um ligeiro transe no paciente, e falando através dele chega a comunicar-se com o espírito obsessor. Baldwin afirma expressamente que não trabalha com hipnose profunda.
Na hipnose profunda o paciente, enquanto dura o estado hipnótico, não está consciente de si mesmo e nem da situação e perde o controle sobre suas ações. Por isso, ao finalizar a sessão não lembra do sucedido e é necessário convencê-lo dos acontecimentos – às vezes incríveis - por meio de um vídeo.
Em contraposição a isto os pacientes sob transe ligeira mantêm em todo momento a consciência e podem tomar suas próprias decisões. Por exemplo, podem pedir uma manta se tem frio, ou podem expressar se não desejam fazer um passo da terapia, etc. Com este método podem recordar perfeitamente todo o ocorrido e as experiências que viveram. Esta forma de trabalho é preferida hoje em dia pela maioria dos terapeutas de regressão.
Os Kardecistas no Brasil. Todos os autores mencionados obviamente não sabiam que o trabalho terapêutico com obsessões tinha uma larga tradição no Brasil e que ali fosse difundido e bem conhecido. O conhecimento e a condução das obsessões (por almas de pessoas falecidas) no Brasil se chama “Kardecismo”, termo nomeado pelo grande pesquisador da mediunidade Allan Kardec, que escreveu suas obras por volta do ano 1850 na França. Entre elas destacamos pelo seu renome: “O livro dos espíritos” e “O livro dos médiuns”. No Brasil, “Kardecismo” é sinônimo de “Espiritismo”.
Até hoje, os terapeutas brasileiros sempre trabalham em dupla. Um é o médium e o outro é o doutrinador, quer dizer, é aquele que fala com a alma enquanto esta dentro do médium. O doutrinador tenta convencer ao obsessor de que morreu e trata de persuadi-lo para que abandone ao paciente e siga o curso normal, ascendendo ao outro lado.
No Brasil o médium e o doutrinador recebem uma formação de quatro anos e muitas vezes foram pacientes antes. Não pedem nenhum dinheiro pelo seu serviço. Todos têm outras profissões e o centro espírita se financia através de doações.
Um doador de órgãos como obsessor
Até agora somente conheço apenas um único caso documentado, no qual o terapeuta falou com o doador de órgãos que obsediava a pessoa que havia recebido estes órgãos.
Este exemplo se encontra no livro de William Baldwin (2003, p. 8), que escreve:
“Em caso de transplantes de coração ou de outros órgãos, a alma do doador pode seguir o órgão transplantado ao novo corpo.”
O obsessor Alex no caso relatado por Baldwin sofreu uma extração múltipla de órgãos e disse na terapia:
“Meus rins foram para aqui, meu fígado para ali, e meu coração a outra parte: Segui o meu coração, porque ali é onde vivo.”
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A continuação citarei dois exemplos impressionantes, mais conexões entre o doador e o receptor de órgãos, segundo o artigo de Pearsall, Schwartz e Russek (2002).
(Com licença das editorias Springer Science and Business Media, Dordrecht, Países Baixos)
Todos os receptores de órgãos dos dez exemplos de Pearsall, Schwartz e Russek não conheceram os seus doadores até a aparição de novos e surpreendentes sintomas. Os autores escrevem a respeito:
“In each case, personal changes in the recipients preceded any contact with the donor’s family members or friends.”
(“Em cada caso as alterações pessoais dos receptores precederam ao contato com a família ou os amigos do doador.”)
Depois de encontrar posteriormente as famílias dos doadores se comprovou que os doadores em sua vida haviam tido exatamente as mesmas características experimentadas pelos seus receptores. Os novos comportamentos dos receptores não são explicáveis pela historia da sua própria vida.
Caso 1 de Pearsall, Schwartz y Russek (2002)
(A canção: “Danny, o meu
coração é seu”)
O doador, Paul, foi um jovem de 18 anos, que morreu em um acidente de automóvel.
O pai do doador Paul, psiquiatra, refere:
“Meu filho sempre escreveu poemas. Durante mais de um ano não havíamos colocado em ordem o seu quarto. Ali encontramos uns poemas, que nunca nos havia mostrado, e até hoje não falamos sobre este assunto com ninguém. Especialmente um dos poemas nos comoveu muito, emocional e espiritualmente. Este poema fala sobre a cercania da sua morte.”
“Por outro lado, ele era músico, e encontramos uma canção com o seguinte título:
»Danny, meu coração é seu. «
O texto desta canção expressava com claridade que estava predestinado a morrer prematuramente e que ia dar seu coração a outra pessoa. Quando encontramos a receptora de seus órgãos, estivemos tão… Não sabíamos que passava. Também não o sabemos agora. Simplesmente não o sabemos.”
A receptora, Danielle, de 18 anos, comunica:
“Quando me mostraram as fotos do seu filho o reconheci imediatamente. Ele era eu. Sei que está dentro de mim e que me ama. Desde sempre foi meu amado, pode ser que em outro tempo, em algum outro lugar. Como pode saber antes da sua morte que tinha que morrer e que ia dar-me o seu coração? Como pôde saber que meu nome era Danielle? E depois, quando tocaram para mim algumas de suas canções, poderia continuar cantando-as sem haver escutado anteriormente. Antes nunca havia podido tocar, mas depois do transplante comecei a interessar-me pela música. Sentia-a em meu coração. Meu coração tinha que tocar música. Disse a minha mãe que queria ir a aulas de violão. O mesmo instrumento que havia tocado Paul. Seu canto está dentro de mim. O sinto muitas vezes à noite, e é como se Paul me fizesse uma serenata.”
O pai da receptora Danielle relata:
“Ela [sua filha Danielle] disse que queria tocar um instrumento e queria cantar. Quando escreveu sua primeira canção, o fez sobre seu novo coração como sendo o coração de seu amado. Elaborou um texto dizendo que seu querido vinha para salvar a sua vida.”
Caso 2 de Pearsall, Schwartz-Russek (2002)
(Carter atua do mesmo modo
que Jerry)
O doador, Jerry, tinha 16 meses no momento do transplante. O receptor do coração, Carter, era um bebê de 7 meses. Na entrevista já estava com 6 anos.
A mãe do doador Jerry, médica, informa sobre o seu primeiro encontro com o receptor Carter:
“Quando Carter me viu pela primeira vez correu em minha direção, pressionou seu nariz contra o meu e o esfregou repetidamente. Isto era precisamente o que fazíamos com Jerry.”
“Quando ele me abraçou pude sentir meu próprio filho. Ou seja: Pude senti-lo, não só simbolicamente. Ele estava presente. Senti sua energia. Podem perguntar a minha mãe. Carter apesar de ter já seis anos, falou com a mesma linguagem do bebê e brincou com o meu nariz da mesma maneira que fazia Jerry.”
“Ficamos com a família do pequeno receptor do coração, Carter. No meio da noite Carter entrou em nosso quarto e quis dormir com meu marido e comigo. Ele se agasalhou entre nós como Jerry costumava fazer, e começamos a chorar. Carter nos disse que não chorássemos porque Jerry dizia que tudo ia bem. O coração do nosso filho bate no peito de Carter. De alguma maneira nosso filho continua vivo.”
A mãe do receptor Carter disse:
“Vi Carter correndo em direção a ela [a mãe do doador Jerry]. Nunca o faz. É muito, muito esquivo. Mas foi em direção a ela. Quando sussurrou: »Tudo vai bem, mamãe«, me assustei. A chamou de »mamãe« – ou talvez era o coração de Jerry que estava falando.”
“Algo mais que devem saber. Carter não havia visto o pai de Jerry anteriormente irmos à igreja. Chegamos tarde e o pai do Jerry estava sentado no meio de um grupo de pessoas da comunidade da igreja. Carter se soltou da minha mão e correu para ele. Subiu no seu colo, abraçou-o e disse: »Daddy«. Ficamos todos perplexos. Como poderia conhecê-lo? Por que o chamou de »Dad«? Nunca antes havia feito nada igual. Na igreja jamais havia soltado a minha mão ou corrido em direção a um desconhecido. Quando perguntei porque o fez, ele respondeu que não havia sido ele, e sim Jerry, e ele, Carter, o acompanhou.” –
(Fim das citações de Pearsall, Schwartz e Russek, 2002)
Um pouco de filosofia
A explicação usual das transferências do doador ao receptor, se baseia em que as células do coração possuem uma memória. Fala-se sobre a memória do órgão ou a memória celular. Esta opinião é sustentada, em primeiro lugar, pelos autores Pearsall (1998), assim como Pearsall, Schwartz e Russek (2002). A esta opinião vamos contrapor outro raciocínio, baseado no suposto de que o receptor de um órgão possa ser obsediado pelo doador em questão. Que teoria é preferível?
Para o mundo materialista e mecanicista, a teoria da memória celular seria aceitável, quer dizer para aqueles que estão orientados ao campo das ciências naturais. Não podem imaginar nada mais além. Enquanto que o modelo baseado nas obsessões exige a aceitação da existência de um mundo espiritual e de seres espirituais. Além disso, é necessário ter conhecimentos básicos do fenômeno e da terapia das obsessões espirituais (no sentido do que expõe este artigo).
Se quisermos fazer um balance destas duas teorias teríamos que considerar o seguinte requisito metodológico básico. Uma boa teoria sobre um fenômeno já observado deve ter uma virtude importante:
Deve facilitar predições concretas sobre as possíveis observações empíricas que não tenham sido observadas antes de estabelecer a teoria, mas que possam ser no futuro. Isto se chama a força preditiva de uma teoria. Uma teoria sem força preditiva não serve de nada. No caso que nos ocupa, o das transferências no modelo de obsessões, possibilita a predição seguinte:
Um terapeuta de obsessões poderia falar com o doador que obsede ao receptor do órgão e perguntar:
Quem é?
e
Por que está obsediando ao paciente?
Ou melhor, poderia convencer ao obsessor de que já está morto e persuadi-lo a abandonar ao receptor.
Ante tudo, tal intervenção teria sentido, se o receptor padecesse de algum tipo de conseqüência psíquica derivada da implantação de órgãos. É comum o receptor não ter o conhecimento da possibilidade de ser obsediado pela alma do doador.
A teoria da memória celular não permite nenhuma predição de observações que não foram feitas anteriormente!
Além disso, ao contrário da teoria da memória celular podemos manifestar o seguinte:
Não há nenhuma justificativa pela qual as células do coração possuam uma memória de tal alcance que possam memorizar e reproduzir a fisionomia do assassino da doadora. (Uma memória celular cientificamente só é conhecida a nível imunológico e genético).
Não tem nenhuma explicação sobre o funcionamento de tal memória, de como podem ser lidos seus conteúdos e de como podem ser transmitidos à consciência do receptor.
Tudo isso pode dar-nos a impressão de que o modelo da obsessão espiritual é a solução ao problema. Porém, não é tão simples. Por meio da aceitação da hipnose das obsessões não veríamos contestadas todas as perguntas. Pensemos nas palavras de Alex (o obsessor, com quem falou William Baldwin):
“Segui o meu coração porque ali é onde vivo.”
Em primeiro lugar o notável desta afirmação
é que Alex fala de si mesmo como se fosse um indivíduo diferente do seu
coração. Alex é evidentemente a alma do
doador falecido. Porém, seguiu o seu
coração o que significa que este (que segue vivo!) continua sendo muito
importante. Por que tem tanta
importância? É a memória celular do
coração? Ou é o sistema nervoso autônomo
do coração que permite que possa bater de forma totalmente independente do
cérebro? Ou é o coração como um ser em
parte biológico, em parte espiritual?
Ou …? Não o
sabemos.
Usualmente a consciência humana é ligada ao cérebro, e a medicina moderna – orientada a semelhança das ciências naturais – supõe que seria o cérebro o que criaria a consciência. Disso se deduz: Sem cérebro não se encontra nenhuma consciência. Esta opinião obviamente é falsa, porque a alma de uma pessoa falecida permanece consciente de si mesma e retém o mesmo sentimento de seu EU como em vida, mesmo que já não tenha um cérebro biológico. Inclusive suas necessidades, costumes, preferências, antipatias, aversões, adições e medos frequentemente se conservam (Myers 1903 e Internet, Whitton 1986, Newton 1994 y 2000). Falamos sobre a identidade do EU em diferentes estados da alma aqui e do outro lado.
A alma de uma pessoa recentemente falecida poderia permanecer perto da terra, poderia converter-se em obsessor de uma pessoa viva, ou poderia ir através do reino intermédio para finalmente reencarnar-se.
(Uma avaliação da literatura científica séria sobre a reencarnação, sobre as experiências mais próximas à morte e sobre a estância da alma do outro lado se encontra em www.mutual-mente.com.)
De qualquer maneira a consciência de um ser humano vivo, sim está conectada com o seu cérebro, porque danos do cérebro ou o consumo de drogas podem alterar a consciência, ofuscar-la ou nublar-la.
A passagem da consciência dependente do cérebro a uma consciência independente, há sido descrito repetidamente por pessoas que tem experimentado experiências próximas a morte; sobre esse tema existe uma variada literatura.
A consciência independente do cérebro está conectada com um segundo corpo imaterial que pode pairar e mover-se através de tudo. Esta consciência não sente dor do corpo físico e pode seguir o caminho ao outro lado. No entanto, o sentimento do EU da alma do lado de lá é o mesmo que o da pessoa viva. O EU, a individualidade, a personalidade, a alma permanecem; ficamos idênticos a nós mesmos.
O que é a consciência? Nem a ciência moderna, nem os médicos ou neurologistas, nem os físicos ou filósofos puderam, nem podem explicá-la, mesmo que cada um de nós possa observá-lo por si mesmo. Também podemos observar em nós, certos estados alterados da consciência, fora do estado de vigília, por exemplo, nos sonhos e nos sonhos lúcidos. A consciência do ser humano é um dos grandes mistérios da nossa existência. As ciências não puderam contribuir para desvelar este segredo.
Bem, se a alma do doador falecido estivesse buscando o seu coração (ainda vivo fisicamente!) e quisesse habitar nele, o coração teria um sentido espiritual que o faria atrativo para a alma do doador.
Em termos gerais, deve haver um sentido para que a alma viva em um corpo físico, o que significaria que o corpo físico teria um valor espiritual que importaria para um ser imaterial, uma alma. Se isto não fosse assim, não encarnaria, quer dizer, não escolheria um corpo biológico como morada para o curso de uma vida biológica.
A união entre uma alma e um corpo, e depois também a separação de ambos, são uns dos segredos mais admiráveis do mistério da vida. Unicamente podemos perceber com assombro este fenômeno, podemos ter a sensação de que estamos muito perto do mistério da vida, sem que a mente possa compreendê-lo.
Outros aspectos espirituais do transplante de órgãos
Até aqui falamos sobre a transferência de atitudes e de conhecimentos do doador de órgãos ao receptor como um aspecto de transplante de órgãos, que não é médico nem psicológico, mas sim espiritual. Além destes existem outros aspectos espirituais a destacar:
1.) Pode ser que um médium possa manter contato
com a alma de um doador de órgãos falecido.
Até hoje somente conhecemos um único caso documentado;
veja o texto em alemão na www.mutual-mente.com:
“Ein jenseitiger Organspender berichtet über seine eigene Organentnahme”,
(Um doador de órgãos informa desde o lado de lá sobre a extração dos seus órgãos.)
2.) É de esperar que agora – e crescentemente no futuro – se reencarnem doadores de órgãos falecidos. É possível que em alguns casos possam lembrar de forma espontânea ou por meio de regressões terapêuticas de suas experiências durante e depois da extração de seus órgãos.
Destas possíveis observações poderiam surgir respostas às perguntas seguintes:
1. Quais são as experiências que tem um doador de órgãos enquanto se está efetuando a extração de seus órgãos?
2. Quais são as experiências próximas a morte que tem um doador?
3. Como influi a extração de órgãos no destino da alma do doador?
4. Impede a extração de órgãos o passo da alma ao lado de lá? Por exemplo, de forma o doador não saiba que está morto e não possa abandonar a esfera de nosso planeta.
5. Quais são os objetivos do doador como obsessor do receptor?
6. Em que medida ajuda ou prejudica a obsessão, o obsessor e/ou o obsediado?
7. Nestes casos estaria indicada a terapia da liberação da alma?
8. O obsessor abandonará ao receptor do órgão depois de algum tempo por si mesmo de forma natural? (lembrem o exemplo de Claire Sylvia!)
9. Qual é a conexão cármica entre o doador e o receptor? (pensemos no exemplo de Danielle!)
10. Que efeito têm estas perguntas e as respostas esperadas em nossos entendimentos fundamentais sobre o transplante de órgãos?
Petição de apoio.
Estimados leitores, em caso de que descubram material documentado sobre aspectos espirituais do transplante de órgãos, informem. Quem sabe possam animar aos seus amigos e conhecidos, a um médium ou terapeuta, a buscar tais exemplos e dá-los a conhecer.
Assim podem contribuir a que consigamos compreender de melhor maneira
O que significa o transplante de órgão em sua essência?
E como socorrer aos receptores de órgãos que sofrem e as almas dos doadores falecidos.
Bibliografia
Baldwin, William J.. “Healing Lost Souls – Releasing Unwanted Spirits
from Your Energy Body”, Hampton Roads 2003.
(Curando espíritos perdidos –
Liberar espíritos do seu corpo energético)
Chaplin, Annabel. “The Bright Light of Death”, DeVorss 1977.
Fiore, Edith. “Besessenheit und Heilung”, Silberschnur 1999.
• „The Unquiet Dead – A Psychologist Treats Spirit Possession”, Ballantine 1995.
• “Possessão Espiritual“, Pensamento 1990.
• „Les esprits possessifs – Une psychothérapeute traite la possession “, Exergue 2005.
Kardec, Allan
was a pseudonym of the French teacher and educator
Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon,
October 3, 1804 –Paris, March 31, 1869),
who is known today as the systematizer of spiritism / of the spiritist
teachings.
• Allan Kardec, de son vrai nom Denizard Hippolyte Léon Rivail, est né le 3 octobre 1804 à Lyon et est mort le 31 mars 1869 à Paris.
• Hippolyte Léon Denizard Rivail (* 3. Oktober 1804 in Lyon; † 31. März 1869 in Paris), besser bekannt unter dem Pseudonym Allan Kardec, war der Begründer und erste Verbreiter des Spiritismus / der spiritistischen Lehre in Frankreich.
Kardec, Allan. “O Livro dos Espíritos”, publicado em 18 de Abril de 1857, no Palais Royal, na capital francesa, contendo 550 itens. Só a partir da segunda edição, lançada em 16 de março de 1860, com ampla revisão de Kardec mediante o contato com grupos espíritas de cerca de 15 países da Europa e das Américas, aparecem as atuais 1019 perguntas e respostas.
• “O Livro dos Espíritos”, Tradução de Renata Barbosa da Silva e Simone T. Nakamura Bele da Silva. Edição Petit Editora.
• “The Spirits’ Book”, http://www.spiritwritings.com/kardec.html.
• “The Spirits’ Book”, Federação Espírita Brasileira, http://www.allankardec.com/Allan_Kardec/Le_livre_des_esprits/lesp_us.pdf.
• “Le Livre des Esprits”, Paris 1856. http://spirite.free.fr.
• “Das Buch der Geister”, ungekürzte Neuauflage, Lichttropfen-Verlag, 2008.
• “El libro de los espíritus – Una enseñanza trascendental”, Hojas de luz, 2006. http://espiritismo.cc/Descargas/libros/allankardec/Espiritus.pdf.
Kardec, Allan: “The Mediums' Book”, All Q&A sections and partially full text, http://www.spiritwritings.com/kardec.html.
• “The Mediums’ Book”, Federação Espírita Brasileira. http://www.geae.inf.br/en/books/codification/mb.pdf.
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– Fim de artigo de Joachim Felix Hornung: „Aspectos espirituais do transplante de órgãos“ –
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009 joachimhornung@gmx.de, www.mutual-mente.com